02/07/2010
Entrevistador - Divaldo, Deus te abençoe. É tão difícil entender que
no Brasil, sendo a “Pátria do Evangelho”, ainda existam tantas
pessoas que não amam o próximo. Por quê?
Divaldo
responde :
Porque não são Espíritos do Brasil. Vêm de outras pátrias, de outras
raças. Não são almas brasileiras. Vêm para cá, porque, se ficassem
nos seus países de origem, os sentimentos de rancor e ressentimentos
torna-los-iam mais desventurados.
Após a Revolução Francesa de 1789, quando a França se libertou da
Casa dos Bourbons, os grandes filósofos da libertação sonharam com
os direitos do homem, direitos que foram inscritos nos códigos de
justiça em 1791 e que, até hoje, ainda não são respeitados, embora
em 1947, no mês de dezembro, a ONU voltasse a reconhecê-los.
Depois
daquele movimento libertário, o que aconteceu com os franceses?
Os dois
partidos engalfinharam-se nas paixões sórdidas e políticas e como
conseqüência, os grandes filósofos cederam lugar aos grandes
fanáticos, e a França experimentou os dias de terror, quando a
guilhotina, arma criada por José Guilhotin, chegava a matar mais de
mil pessoas por dia.
Esses Espíritos saíam desesperados do corpo e ficavam na psicosfera
da França buscando vingança.
Começa o século XIX e é programada a chegada de Allan Kardec. O
grande missionário vai reencarnar na França, porque a mensagem de
que é portador deverá enfrentar o cepticismo das Academias na
Cidade-Luz da Europa e do mundo e, naquele momento, Cristo havia
designado que o Espiritismo nasceria na França, mas seria
transplantado para um país onde não houvesse carmas coletivos, e
esse país, por enquanto, seria o Brasil.
São Luis, o guia espiritual da França , cedeu que a terra gaulesa
recebesse Allan Kardec, mas “negociou” com Ismael, o guia espiritual
do Brasil: “Já que a mensagem de libertação vai ser levada para a
Terra do Cruzeiro, a França pede que muitos Espíritos atribulados da
Revolução reencarnem no Brasil, pois, se reencarnarem aqui impedirão
o processo da paz”. E dois milhões de franceses vieram reencarnar no
Brasil, para que, quando chegasse a mensagem espírita, culturalmente
se identificassem com o chamado método cartesiano de Allan Kardec.
(sem grifos)
Naturalmente, esses Espíritos eram atribulados, perturbados, com
ressentimentos, com mágoas. Se nós considerarmos que os Espíritos
brasileiros são os índios, que a maioria de nós é constituída por
Espíritos comprometidos na Eurásia, e que estamos aqui de passagem,
longe dos fenômenos cármicos para nos depurarmos, compreenderemos
porque muitos brasileiros do momento ainda não amam esta grande
nação. E o primeiro sentimento que têm quando, ao invés de investir
em fortunas, honesta ou desonestamente amealhadas no solo
brasileiro, eles as mandam para os países estrangeiros.
Não confiam no Brasil, porque são “de lá”. Mandam para lá porque,
morrendo aqui, o dinheiro fica lá para poderem “pagar” o carma
negativo que lá deixaram. Os chamados “paraísos fiscais” são também
lugares de alguns de nós que aqui nos encontramos, mas apesar de
ainda não termos o sentimento do amor, já temos alguma luz.
Viajando pelo mundo, onde tenho encontrado brasileiros espíritas,
descubro uma célula espírita. Começa-se com um estudo do Evangelho
no lar, depois chama-se os amigos, os vizinhos, forma-se um grupo e,
hoje, na Europa, 90% dos grupos espíritas são criados por
brasileiros.
Com exceção de Portugal. Espanha e um pouquinho da França, o
movimento é todo de brasileiros e latinos acendendo as labaredas do
Evangelho de Jesus. Não há pouco tempo, brasileiros na Holanda
encontraram as obras de Kardec traduzidas para o holandês,
brasileiros na Suíça revisaram O Evangelho Segundo o Espiritismo e
se está tentando publicar as obras de Kardec, agora em alemão.
Brasileiros na América do Norte retraduziram O Livro dos Espíritos e
O Evangelho, que o foi por um protestante, que substituiu a palavra
reencarnação por ressurreição. Brasileiros em Londres, com alguns
ingleses, já formam oito grupos espíritas e seria fastidioso se
fosse enumerando na Ásia, na África...
Certa feita, recebi um telefonema de uma cidade asiática. Tratava-se
de uma consulesa do Brasil que me dizia o seguinte:
“Eu estou no outro lado do mundo, sou espírita, tenho três filhos
rapazes – um de 10, um de 14 e outro de 18 anos. Tenho-lhes ensinado
o Espiritismo, mas o meu filho mais velho está na Universidade e me
faz perguntas muito embaraçosas; aqui eu não tenho acesso a maiores
instruções. Queria convidá-lo a vir aqui dar umas aulas de
Espiritismo ao meu filho. Você viria?”
Eu respondi-lhe: - Sim, senhora, com a condição de conseguir-se
espaço para eu falar em auditório publico sobre o Espiritismo: - O
marido era o representante dos negócios do Brasil no país. – Se a
senhora aceitar a condição, ficaria alguns dias para debater com os
seus meninos. Como não falo inglês, seu filho será o meu intérprete.
E assim, fiz a longa viagem de 36 horas com escalas e lá,
naturalmente, ela me disse: “Mas, Divaldo, onde vamos ter esse
encontro?”
Eu lhe respondi: “Tive uma entrevista com o Baghavan Swami Sai Baba,
e sei que essa é uma cidade em que há um grande movimento Babista e,
se a senhora conseguir um grupo Sai Baba eu me prontifico a fazer
uma conferência ali”.
Encontramos o representante de Sai Baba para a Ásia e ele ficou
muito feliz porque Swami havia-me recebido. Ele reuniu mil pessoas
para que eu falasse sobre o Espiritismo. Fiquei até com pena dele! E
pensei: “Vou arrastar toda a turma de Sai Baba para o Sr. Allan
Kardec” (risos...)
Então, fiz a palestra, falei sobre Allan Kardec, sobre as
comunicações, ele ficou tão sensibilizado, que me perguntou se eu
teria coragem de ir a Cingapura para fazer a mesma coisa. Eu lhe
respondi: - O senhor me mandando até o CingaInferno eu irei para
falar sobre o Espiritismo. Fui a Cingapura e fiz uma viagem pela
Ásia e, onde havia brasileiros, lá estavam eles...
A missão do Brasil, “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo” não é a
de sermos todos ricos, maravilhosamente ricos; é a de sermos
maravilhosamente espiritualizados, sem nenhum demérito para os
outros países, que são todos amados por Deus e por Jesus em
igualdade de condição.
Aqui entra o nacionalismo, para ver se a gente ama um pouquinho mais
este país que está passando uma fase de grande desprestígio. Deus só
tem ajudado no esporte! Que Ele tenha compaixão de nós e nos ajude
também não só no Futebol como noutra coisa qualquer! (risos...)
Nós somos as cartas vivas do Evangelho. Jesus escreveu em nossa
alma a Sua mensagem. Onde quer que vamos, que brilhe a nossa luz;
mas, para que ela brilhe, é necessário que a acendamos, e o
combustível dessa luz é a fraternidade. Assim, todos saberão que
estamos ligados a Ele, graças à presença dos bons Espíritos, que
aqui estão conosco, e sempre se encontram a qualquer hora. Como
disse kardec, com muita propriedade, todos têm seu Guia espiritual
que os inspira; dessa forma, todos são médiuns, estão sintonizados
com esses Concluirei com uma pequena narrativa, talvez alguns já a
conheçam, sobre um homem que era muito ignorante, muito modesto,
muito pobre. Todo dia ele entrava na igreja, próximo ao horário de
fechar as portas; ajoelhava-se diante do altar-mor, ficava dois
minutos e saía. O sacerdote, que cuidava da igreja, ficou muito
intrigado, e achou que
ele estava observando algo para furtar ou para roubar, passando a
ficar mais vigilante. Mas, ele chegava, ajoelhava-se, dobrava-se,
balbuciava algo e ia-se embora. Um dia, o sacerdote não suportou
mais e perguntou: “O que é que você vem fazer aqui, um miserável
como é? Por que não vem à missa? Só vem na hora em que a igreja vai
ser fechada?”
Ele respondeu: “É porque eu sou muito pobre.” O sacerdote continuou:
- “E por que vai ao altar-mor. Como se atreve?” Ele respondeu: -
“Pois é, quando a igreja vai fechar, eu entro correndo e digo:
Jesus, eu estou aqui. Se precisar, é só chamar! E vou embora”. O
sacerdote achou aquilo intrigante.
Anos depois, aquele mendigo adoeceu e foi levado para uma casa de
emergência, de caridade. Quando, um dia, a enfermeira foi colocar o
seu alimento sobre uma cadeira, ao lado da cama, ele pediu: - “Oh,
por favor, não bote aí!” A jovem perguntou: - “Por que não?” E o
homem respondeu: - “Porque essa cadeira de vez em quando, fica
ocupada.” Ele deveria estar delirando, a enfermeira pensou, e
respeitou-o.
Começou a notas que todo dia, um pouco antes das 18 horas, o rosto
dele se iluminava! Ele sorria e dizia: - “Muito obrigado! Muito
obrigado!” Ela achava que era delírio mas, como ele era
perfeitamente saudável da mente, num desses dias, quando terminou de
agradecer, ela indagou: - “Não repare, mas o que você está
agradecendo?” Ele esclareceu: - “É a uma visita que chega todo dia
cinco para as seis.” Ela continuou: - “Que visita é essa?” - É
Jesus.
Ele sempre vem e diz-me: - “Olhe, estou aqui. Se precisar de mim é
só chamar!...
”Fonte:
Texto
Extraído do livro: APRENDENDO COM DIVALDO. Entrevistas/ Divaldo
Pereira Franco: São Gonçalo, RJ: Organizado pelaSEJA, Editora e
Distribuidora de Livros Espíritas, 2002, p. 69-74.