HIPPOLYTE LÉON-DENIZARD RIVAIL (ALLAN
KARDEC) -
Allan Kardec nasceu Hippolyte Léon-Denizard
Rivail, em 03 de Outubro de 1804 em Lyon, França, no seio de
uma antiga família de magistrados e advogados. Educado na
Escola de Pestalozzi, em Yverdum, Suíça, tornou-se um de seus
discípulos mais eminentes. Foi membro de várias sociedades
sábias, entre as quais a Academie Royale d'Arras. De 1835 à
1840, fundou em seu domicílio cursos gratuitos, onde ensinava
química, física, anatomia comparada, astronomia,
etc. Dentre suas inúmeras obras de educação, podemos citar:
"Plano proposto para a melhoria da instrução pública" (1828);
"Curso prático e teórico de aritmética (Segundo o método de
Pestalozzi)", para uso dos professores primários e mães de
família (1829); "Gramática Francesa Clássica" (1831);
"Programa de cursos usuais de química, física, astronomia,
fisiologia"(LYCÉE POLYMATIQUE); "Ditado normal dos exames da
Prefeitura e da Sorbonne", acompanhado de "Ditados especiais
sobre as dificuldades ortográficas (1849). Por volta de
1855, desde que duvidou das manifestações dos Espíritos, Allan
Kardec entregou-se a observações perseverantes sobre esse
fenômeno, e, se empenhou principalmente em deduzir-lhe as
conseqüências filosóficas. Nele entreviu, desde o início, o
princípio de novas leis naturais; as que regem as relações do
mundo visível e do mundo invisível; reconheceu na ação deste
último uma das forças da Natureza, cujo conhecimento deveria
lançar luz sobre uma multidão de problemas reputados
insolúveis, e compreendeu-lhe a importância do ponto de vista
religioso. As suas principais obras espíritas são: "O Livro
dos Espíritos", para a parte filosófica, e cuja primeira
edição surgiu em 18 de Abril de 1857; "O Livro dos Médiuns",
para a parte experimental e científica (Janeiro de 1861); "O
Evangelho Segundo o Espiritismo", para a parte moral (Abril de
1864); "O Céu e o Inferno", ou "A Justiça de Deus segundo o
Espiritismo" (Agosto de 1865); "A Gênese, os Milagres e as
Predições (Janeiro de 1868); "A Revista Espírita", jornal de
estudos psicológicos. Allan Kardec fundou em Paris, a 1º de
Abril de 1858, a primeira Sociedade Espírita regularmente
constituída, sob o nome de "Sociedade Parisiense de Estudos
Espíritas". Casado com Amélie Gabrielle Boudet, não teve
filhos. Trabalhador infatigável, desencarnou no dia 31 de
março de 1869, em Paris, da maneira como sempre viveu:
trabalhando. ("Obras Póstumas", Biografia de Allan Kardec,
edição IDE)
PERÍODOS ESPÍRITAS -
Na Revue Spirite de 1863, pp.
377/379, Allan Kardec tece considerações a respeito dos
períodos vividos ou a serem vividos pelo Espiritismo, e os
nomeia nessa ordem: o da curiosidade, o filosófico, o da luta,
o religioso, o intermediário (que na época própria ganharia
nome) e, finalmente, o da renovação social. Eis o que ele
escreveu quanto à passagem do
3o. até o
6o.
período: "A luta determinará uma nova fase do Espiritismo e
conduzirá ao quarto período, que será o período religioso;
depois virá o quinto, período intermediário, conseqüência
natural do precedente, e que receberá mais tarde a sua
denominação característica.. O sexto e último período será o
de renovação social, que abrirá a era do século vinte." Na
colocação dessas fases do movimento Espírita, não deixa dúvida
de que o missionário foi altamente inspirado pelo Espírito da
Verdade, mas cremos que ele, Kardec, apressou-se por conta
própria, em fixar o tempo para cada um dos períodos. Aliás,
quando Jesus anunciou a vinda do Consolador, também julgaram
que tal acontecimento se daria num tempo bem próximo àquela
época, achando alguns que a promessa se cumprira no dia de
Pentecostes. No entanto, só no século XIX, ele, o Consolador
prometido, desceria até nós, para restabelecer e explicar-nos
todas as coisas. Na verdade, estamos agora vivendo o
período religioso do Espiritismo, máxime do Brasil, onde, faz
mais de cem anos, "os verdadeiros espíritas, ou melhor, os
espíritas cristãos", o tem apresentado qual ele é, na sua
mensagem cristã e renovadora do espírito humano. Talvez já
se avizinhe o período intermediário, que será, como esclarece
o Codificador "conseqüência natural do precedente" e, a nosso
ver, deverá levar o homem a um novo passo no conhecimento de
si mesmo e do chamado mundo invisível, a evidenciar para
materialistas e negativistas empedernidos o princípio
fundamental em torno do qual gira o nosso destino: Deus e a
imortalidade da alma. Em "Ligeira resposta aos detratores
do Espiritismo", inserto em Obras Póstumas, o Codificador
houve por bem deixar para a nossa meditação esse trecho
bastante significativo: "O Espiritismo é uma doutrina
filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia
espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases
fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida
futura. Mas não é uma religião constituída, visto que não tem
culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum
tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de
sumo-sacerdote." Na Revue Spirite, 1864, p. 199, escreveu
Allan Kardec:"Quem primeiro proclamou que o Espiritismo era
uma religião nova, com seu culto e seus sacerdotes, senão o
clero? Onde se viu, até o presente, o culto e os sacerdotes do
Espiritismo? Se algum dia ele se tornar uma religião, o clero
é quem o terá provocado." (Allan Kardec - Pesquisa
Bibliográfica e Ensaios de Interpretação - Zêus Vantuil e
Francisco Thiesen - FEB)
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ALLAN KARDEC E O BRASIL -
Cremos que 1864 é o ano que pela primeira
vez aparece citado na Revue Spirite o nome da então capital
brasileira : Rio de Janeiro. Trata-se de um artigo publicado
na seção "Crônicas de Paris", no "Jornal do Commercio", do
Rio, de 23 de setembro de 1863. Seu autor começa falando dos
espetáculos fantasmagóricos que se tornaram populares nos
teatros de Paris e, em seguida, passa a tecer comentários em
torno do Espiritismo. Allan Kardec limita-se a mostrar que
o autor do artigo não se aprofundou no estudo do Espiritismo,
de cuja parte teórica ignora os processos. Elogia-lhe, porém,
o comportamento sensato diante dos fatos, para a explicação
dos quais não levantara teorias temerárias. "Pelo menos" -
escreve Kardec - "ele não julga pelo que não sabe." Ao
final do seu breve comentário, assim se expressava o mestre
(Revue Spirite, julho de 1864, p. 213): "Verificamos, com
satisfação que a idéia espírita faz progressos sensíveis no
Rio de Janeiro, onde ela conta com numerosos representantes,
fervorosos e devotados. A pequena brochura "Le Spiritisme à sa
plus simple expression", publicada em língua portuguesa,
contribuiu, não pouco, para ali espalhar os verdadeiros
princípios da Doutrina." Sob o título - "O Espiritismo no
Brasil", o Codificador dá a saber a seus leitores da Revue que
o "Diário da Bahia" de 26 e 27 de setembro de 1865 contém dois
artigos, que são a tradução, em português dos que foram
publicados, havia seis anos, pelo Dr. Amédée Déchambre (1812 -
1885), autor do importante "Dictionnaire des sciences
médicales", artigos em que o autor fizera uma exposição
semiburlesca. Entre outras coisas, dizia o ilustre médico que
o fenômeno das mesas girantes e falantes é falado por Teócrito
(poeta grego, 300 -250 a.C), daí concuindo que não sendo novo
esse fenômeno não tinha ele nenhum fundo de realidade.
"Lamentamos que a erudição do Sr. Déchambre" - comentou Kardec
-, "não lhe tenha permitido ir mais longe, porque teria
encontrado o fenômeno no antigo Egito e nas Índias." (Pp.
334/335) Os espíritas da Bahia refutaram esses artigos no
próprio "Diário da Bahia", no número de 28 de setembro. A
carta que antecedeu a refutação, dirigida à redação da folha
bahiana e assinada por Luiz Olímpio Teles de Menezes, José
Álvarez do Amaral e Joaquim Carneiro de Campos, parece fazer
supor que o referido jornal só publicara o trabalho do Dr.
Déchambre por julgar houvesse nele apreciação exata da
Doutrina Espírita. A refutação consistiu num extrato,
bastante extenso, da introdução de "O Livro dos Espíritos", o
que fez Kardec dizer: "As citações textuais das obras
espíritas são, com efeito, a melhor refutação às desfigurações
que certos críticos fazem sofrer a Doutrina."
(P.336.) (Allan Kardec - Pesquisa Bibliográfica e Ensaios
de Interpretação - Zêus Vantuil e Francisco Thiesen -
FEB)
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INCISIVO,
CONCISO, PROFUNDO, ALLAN KARDEC SABIA AGRADAR E SE FAZER
COMPREENDIDO, NUMA LINGUAGEM AO MESMO TEMPO SIMPLES E
ELEVADA, TÃO LONGE DO ESTILO FAMILIAR QUANTO DAS OBSCURIDADES
DA METAFÍSICA. (In Obras
Póstumas)
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 Tributo e
carinho à Amélie Gabrielle Boudet (Sra.
Allan Kardec) inolvidável pilar da Codificação
Espírita
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Amélie Gabrielle Boudet,
Madame
Rivail (Sra. Allan Kardec) nasceu em Thiais, cidade do
menor e mais populoso Departamento francês – o Sena, aos
2 do Frimário do ano IV, segundo o Calendário
Republicano então vigente na França, e que corresponde a
23 de Novembro de 1795. Filha de Julien-Louis Boudet,
proprietário e antigo tabelião, homem portanto bem
colocado na vida, e de Julie-Louise Seigneat de Lacombe,
recebeu, na pia batismal o nome de Amélie-Gabrielle
Boudet. A menina Amélie, filha única, aliando desde
cedo grande vivacidade e forte interesse pelos
estudos, não foi um problema para os pais, que, a par de
fina educação moral, lhe proporcionaram apurados
dotes intelectuais. Após cursar o colégio primário,
estabeleceu-se em Paris com a família, ingressando
numa Escola Normal, de onde saiu diplomada em
professora de 1a. classe. Revela-nos o Dr. Canuto de
Abreu que a senhorinha Amélie também foi professora de
Letras e Belas Artes, trazendo de encarnações passadas a
tendência inata, por assim dizer, para a poesia e o
desenho. Culta e inteligente, chegou a dar à luz três
obras, assim nomeadas: “Contos Primaveris”, 1825;
“Noções de Desenho”, 1826; “O Essencial em Belas Artes”,
1828. Vivendo em Paris, no mundo das letras e do
ensino, quis o Destino que um dia a Srta. Amélie Boudet
deparasse com o Professor Hippolyte Denizard
Rivail. De estatura baixa, mas bem proporcionada, de
olhos pardos e serenos, gentil e graciosa, vivaz
nos gestos e na palavra, denunciando inteligência
admirável, Amélie Boudet, aliando ainda a todos
esses predicados um sorriso terno e bondoso, logo se fez
notar pelo circunspecto Prof. Rivail, em quem
reconheceu, de imediato, um homem verdadeiramente
superior, culto, polido e reto. O nome Denizard
Rivail tornou-se conhecido nos meios cultos e além do
mais bastante respeitado. Estava aberto para ele o
caminho da riqueza e da glória, no terreno da
Pedagogia. Sobrar-lhe-ia, agora, mais tempo para
dedicar-se à esposa, que na sua humildade e elevação de
espírito jamais reclamara coisa alguma. A ambos,
porém, estava reservada uma missão, grandiosa pela sua
importância universal, mas plena de exaustivos trabalhos
e dolorosos espinhos. O primeiro toque de chamada
verificou-se em 1854, quando o Prof. Rivail foi atraído
para os curiosos fenômenos das “mesas girantes”, então
em voga no Mundo todo. Outros convites do Além se
seguiram, e vemos, em meados de 1855, na casa da Família
Baudin, o Prof. Rivail iniciar os seus primeiros
estudos sérios sobre os citados fenômenos, entrevendo,
ali, a chave do problema que durante milênios
viveu na obscuridade. Acompanhando o esposo nessas
investigações, era de se ver a alegria emotiva com que
ela tomava conhecimento dos fatos que descerravam para a
Humanidade novos horizontes de felicidade. Após
observações e experiências inúmeras, o professor Rivail
pôs mãos à maravilhosa obra da Codificação, e é
ainda de sua cara consorte, então com 60 anos, que ele
recebe todo o apoio moral nesse cometimento. Tornou-se
ela verdadeira secretária do esposo, secundando-o nos
novos e bem mais árduos trabalhos que agora lhe tomavam
todo o tempo, estimulando-o, incentivando-o no
cumprimento de sua missão. Allan Kardec foi alvo do
ódio, da injúria, da calúnia, da inveja, do ciúme e do
despeito de inimigos gratuitos, que a todo custo
queriam conservar a luz sob o alqueire. Intrigas,
traições, insultos, ingratidões, tudo de mal cercou o
ilustre reformador, mas em todos os momentos de
provas e dificuldades sempre encontrou, no terno afeto
de sua nobre esposa, amparo e consolação, confirmando-se
essas palavras de Simalen: “A mulher é a estrela de
bonança nos temporais da vida.” Com vasta
correspondência epistolar, proveniente da França e de
vários outros países, não fosse a ajuda de sua
esposa nesse setor, sem dúvida não sobraria tempo para
Allan Kardec se dedicar ao preparo dos livros da
Codificação e de sua revista. Muito ainda fez essa
extraordinária mulher a prol do Espiritismo e de todos
quantos lhe pediam um conselho ou uma palavra de
consolo, até que em 21 de Janeiro de 1883, às 5 horas da
madrugada, docemente, com rara lucidez der espírito, com
aquele mesmo gracioso e meigo sorriso que sempre lhe
brincava nos lábios, desatou-se dos últimos laços que a
prendiam à matéria. A querida velhinha tinha então 87
anos, e nessa idade, contam os que a conheceram, ainda
lia sem precisar de óculos e escrevia ao mesmo tempo
corretamente e com letra firme. Aplicando-lhe as
expressões de célebre escritor, pode-se dizer, sem
nenhum excesso, que “sua existência inteira foi um
poema cheio de coragem, perseverança, caridade e
sabedoria”. Compreensível, pois, era a consternação
que atingiu a família espírita em todos os quadrantes do
globo. De acordo com o seus próprios desejos, o enterro
de Madame Allan Kardec foi simples e espiriticamente
realizado, saindo o féretro de sua residência, na
Avenida e Vila Ségur n. 39, para o Père-Lachaise, a 12
quilômetros de distância. Grande multidão, composta
de pessoas humildes e de destaque, compareceu em 23 de
Janeiro às exéquias junto ao dólmen de Kardec, onde os
despojos da velhinha foram inumados e onde todos os
anos, até à sua desencarnação, ela compareceu às
solenidades de 31 de março. Na coluna que suporta o
busto do Codificador foram depois gravados, à esquerda,
esses dizeres em letras maiúsculas: AMÈLIE GABRIELLE
BOUDET – VEUVE ALLAN KARDEC – 21 NOVEMBRE 1795 – 21
JANVIER 1883. (Texto resumido da biografia constante no
site da Federação Espírita do
Paraná)
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JESUS E O CONSOLADOR - "E eu rogarei
ao Pai e ele lhes dará outro CONSOLADOR, a fim de que esteja para
sempre convosco, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode
receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vocês o conhecem,
porque ele habita em vocês e com vocês estará. Não os deixarei
órfãos, voltarei para vocês outros. Tenho ainda muito que lhes
dizer, mas vocês não o podem suportar agora; quando vier, porém, o
Espírito da Verdade, ele os guiará a toda verdade; porque não falará
por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e lhes anunciará as
coisas que hão de vir!" (João, 14, 15, 16) Veja aqui completo
allan kardec - Esta
predição, não há contestar, é uma das mais importantes, do ponto de
vista religioso, porquanto comprova, sem a possibilidade do menor
equívoco, que Jesus não disse tudo o que tinha a dizer, pela razão
de que não o teriam compreendido nem mesmo seus apóstolos, visto que
à eles é que o Mestre se dirigia. Se lhes houvesse dado instruções
secretas, os Evangelhos fariam referência a tais instruções. Ora,
desde que ele não disse tudo a seus apóstolos, os sucessores destes
não terão podido saber mais do que eles, com relação ao que foi
dito; ter-se-ão possivelmente enganado, quanto ao sentido das
palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus
pensamentos, muitas vezes velados sob a forma parabólica. As
religiões que se fundaram no Evangelho não podem, pois, dizer-se
possuidoras de toda verdade, porquanto ele, Jesus, reservou para si
a complementação ulterior de seus ensinamentos. O princípio da
imutabilidade, em que elas se firmam, constitui um desmentido às
próprias palavras do Cristo. Sob o nome de Consolador e de
Espírito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de
ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera. Logo, não
estava completo seu ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria
esquecido, como também que seria desvirtuado o que por ele fora
dito, visto que o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e, de
combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las
de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinos. Quando
terá de vir esse novo revelador? É evidente que se, na época em que
Jesus falava, os homens não se achavam em estado de compreender as
coisas que lhe restavam a dizer, não seria em alguns anos apenas que
poderiam adquirir as luzes necessárias e entendê-las. Para a
inteligência de certas partes do Evangelho, excluídos os preceitos
morais, faziam-se mister conhecimentos que só o progresso das
ciências facultaria e que tinham de ser obra do tempo e de muitas
gerações. Se, portanto, o novo Messias tivesse vindo pouco tempo
depois do Cristo, houvera encontrado o terreno ainda nas mesmas
condições e não teria feito mais do que o próprio Cristo. Ora, desde
aquela época até os nossos dias, nenhuma grande revelação se
produziu que haja completado o Evangelho e elucidado suas partes
obscuras, indício seguro de que o Enviado ainda não
aparecera. Qual deverá ser esse enviado? Dizendo: "Pedirei a meu
Pai e ele lhes enviará outro Consolador", Jesus claramente indica
que esse Consolador não seria ele, pois, do contrário, teria dito:
"Voltarei para completar o que lhes tenho ensinado". Não só tal não
disse, como acrescentou: "A fim de que fique eternamente convosco e
ele estará em vós." Esta proposição não poderia referir-se a uma
individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente
conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém,
muito bem com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando
a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador
é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma
doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o
Espírito de Verdade. O Espiritismo realiza, como ficou
demonstrado, todas as condições do Consolador que Jesus prometeu.
Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode
dizer-se seu Criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos,
ensino a que preside o Espírito de Verdade. Nada suprime dos
Evangelhos: antes o completa e elucida. Com o auxílio das novas leis
que revela, conjugadas essas leis às que a Ciência já descobrira,
faz-se compreenda o que era ininteligível e se admita a
possibilidade daquilo que a incredulidade considerava inadmissível.
Teve precursores e profetas, que lhe pressentiram a vinda. Pela sua
força moralizadora, ele prepara o reinado do bem na Terra. A
doutrina de Moisés, incompleta, ficou circunscrita ao povo Judeu; a
de Jesus, mais completa, se espalhou por toda a Terra, mediante o
Cristianismo, mas não converte a todos; o Espiritismo, ainda mais
completo, com raízes em todas as crenças, converterá a Humanidade
. Dizendo a seus apóstolos: "Outro virá mais tarde, que lhes
ensinará o que agora não posso ensinar", proclamava Jesus a
necessidade da reencarnação. Como poderiam aqueles homens aproveitar do
ensino mais completo que ulteriormente seria ministrado, como
estariam aptos a compreendê-lo, se não tivessem de viver novamente?
Jesus houvera proferido uma coisa inconseqüente se, de acordo com a
doutrina vulgar, os homens futuros houvessem de ser homens novos,
almas saídas do nada por ocasião do nascimento. Admita-se, ao
contrário, que os apóstolos e os homens do tempo deles tenham vivido
depois; que ainda hoje revivem , e plenamente justificada estará a
promessa de Jesus. Tendo-se desenvolvido ao contato do progresso
social, a inteligência deles pode presentemente comportar o que
então não podia. Sem a reencarnação a promessa de Jesus fora
ilusória. Se disserem que essa promessa se cumpriu no dia de
Pentecostes, por meio da descida do Espírito Santo, poder-se-á
responder que o Espírito Santo os inspirou, que lhes desanuviou a
inteligência, desenvolveu neles as aptidões mediúnicas destinadas a
facilitar-lhes a missão, porém que nada lhes ensinou além daquilo
que Jesus já ensinara, porquanto no que deixaram, nenhum vestígio se
encontra de um ensinamento especial. O Espírito Santo, pois, não
realizou o que Jesus anunciara relativamente ao Consolador; a não
ser assim, os apóstolos teriam elucidado o que, no Evangelho,
permaneceu obscuro até ao dia de hoje e cuja interpretação
contraditória deu origem às inúmeras seitas que dividiram o
Cristianismo desde os primeiros séculos. (A GÊNESE, Cap. XVII, ítens
37 à 42) Pode o Espiritismo ser considerado uma revelação?
Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa
literalmente sair de sob o véu - e, figuradamente, descobrir, dar a
conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. Em sua acepção vulgar
mais genérica, essa palavra se emprega a respeito de qualquer coisa
ignota que é divulgada, de qualquer idéia nova que nos põe ao
corrente do que não sabíamos. A característica essencial de
qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é
tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por
conseqüência, não existe revelação. Toda revelação desmentida por
fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus
mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele; deve ser
considerada produto de uma concepção humana. No sentido especial
da fé religiosa, a revelação se diz mais particularmente das coisas
espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência,
nem com o auxílio dos sentidos e cujo conhecimento lhe dão Deus ou
seus mensageiros, quer por meio da palavra direta, quer pela
inspiração. Neste caso, a revelação é sempre feita a homens
predispostos, designados sob o nome de profetas ou messias, isto é,
enviados ou missionários, incumbidos de transmiti-la aos homens.
Considerada debaixo deste ponto de vista, a revelação implica a
passividade absoluta e é aceita sem verificação, sem exame, nem
discussão. O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível
que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim
como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a
natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o
destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na
acepção científica da palavra. Moisés, como profeta, revelou aos
homens a existência de um Deus único, Soberano Senhor e Orientador
de todas coisas; promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da
verdadeira fé. Como homem, foi o legislador do povo pelo qual essa
primitiva fé, purificando-se, havia de espalhar-se por sobre a
Terra. O Cristo, tomando da antiga lei o que é eterno e divino e
rejeitando o que era transitório, puramente disciplinar e de
concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de que
Moisés não falara, assim como a das penas e recompensas que aguardam
o homem, depois da morte . O Espiritismo, partindo das próprias
palavras do Cristo, como este partiu das Moisés, é conseqüência
direta da sua doutrina. À idéia vaga da vida futura, acrescenta a
revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o
espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma
consciência, uma realidade à idéia. Define os laços que unem a alma
ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do
nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem,
para onde vai, porque está na Terra, porque sofre temporariamente e
vê por toda parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride
incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até
atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas
as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com
idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio;
que todas são da mesma essência e que não há entre elas diferença,
senão quanto ao progresso realizado; que todas tem o mesmo destino e
alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho e
boa-vontade. A primeira revelação teve a sua personificação em
Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo
algum. As duas primeiras foram individuais, a terceira coletiva; aí
está um caráter essencial de grande importância. Ela é coletiva no
sentido de não ser feita ou dada como privilégio de pessoa alguma,
ninguém, por conseqüência, pode inculcar-se como seu profeta
exclusivo; foi espalhada simultaneamente por sobre a Terra, a
milhões de pessoas, de todas as idades e condições, desde a mais
baixa até a mais alta da escala, conforme esta predição registrada
pelo autor dos Atos dos Apóstolos: "Nos últimos tempos, disse o
Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos
filhos e filhas profetizarão, os jovens terão visões e os velhos,
sonhos." (Atos, cap. II, vs. 17-18) Ela não proveio de nenhum culto
especial, a fim de servir um dia, a todos, de ponto de
ligação. Demais, se se considerar o poder moralizador do
Espiritismo, pela finalidade que assina a todas as ações da vida,
por tornar quase tangíveis as conseqüências do bem e do mal, pela
força moral, a coragem e as consolações que dá nas aflições,
mediante inalterável confiança no futuro, pela idéia de ter cada um
perto de si os seres a quem amou, a certeza de os rever, a
possibilidade de confabular com eles; enfim, pela certeza de que
tudo quanto se fez, quanto se adquiriu em inteligência, sabedoria,
moralidade, até a última hora da vida, não fica perdido, que tudo
aproveita ao adiantamento do Espírito, reconhece-se que o
Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do
Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade que preside
ao grande movimento de regeneração, a promessa da sua vinda se acha
por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro
Consolador." (A GÊNESE, Cap. I, ítens 1,3,7,12,21,22,30,45 e
42)
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"Allan Kardec gostava
de rir com seu belo riso franco, largo e comunicativo, e possuía
um talento todo particular em fazer os outros partilharem do seu
bom-humor." Henri Sausse*
CURIOSIDADES DA
CODIFICAÇÃO
"Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro
anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo,
prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois
tenho fortes razões para isso... "
UMA CARTA PARA
O SR. ALLAN KARDEC - Allan Kardec, o Codificador da Doutrina
Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto,
acabrunhado. Fazia frio. Muito embora a consolidação da
Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros,
escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos
Superiores lhe haviam colocado nas mãos. A pressão
aumentava... Missivas sarcásticas avolumavam-se à
mesa. Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente
esposa, Madame Rivail - a doce Gabi -, a entregar-lhe certa
encomenda, cuidadosamente apresentada. O professor abriu o embrulho, encontrando uma
carta singela. E leu. "Sr. Allan Kardec: Respeitoso
abraço. Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem
como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em
suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes
razões para isso. Sou encadernador desde a meninice,
trabalhando em grande casa desta capital. Há cerca de dois anos
casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa
vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no
início deste ano, de modo inesperado, minha Antoinette partiu
desta vida, levada por sorrateira moléstia. Meu desespero foi
indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo. Sem
confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e
vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir
o caminho de tantos outros, ante a fatalidade... A prova da
separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo
humano. Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido,
ameaçava-me com a dispensa. Minhas forças fugiam. Namorara
diversas vezes o Sena e acabei planeando o suicídio. "Seria fácil,
não sei nadar"- pensava. Sucediam-se noites de insônia e dias
de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o
desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a ponte
Marie. Olhei em torno, contemplando a corrente... E, ao fixar a
mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se
deslocou da amurada, caindo-me aos pés. Surpreendido, distingui
um livro que o orvalho umedecera. Tomei o volume nas mãos e,
procurando a luz mortiça do poste vizinho, pude ler, logo no
frontispício, entre irritado e curioso: "Esta obra salvou-me a
vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. - A.
Laurent." Estupefato, li a obra - "O Livro dos Espíritos" - ao
qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas
mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que
lhe aprouver." Ainda constava da mensagem agradecimentos
finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente. O
Codificador desempacotou, então, um exemplar de "O Livro dos
Espíritos" ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do
seu pseudônimo e na página do frontispício, levemente manchada,
leu com emoção não somente a observação a que o missivista se
referira, mas também outra, em letra firme: "Salvou-me também.
Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. - Joseph
Perrier." Após a leitura da carta providencial, o
Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por
dentro... Aconchegando o livro ao peito, raciocinava, não mais
em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa
esperança. Era preciso continuar, desculpar as injúrias,
abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas... Diante de seu
espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e
consolo. Allan Kardec levantou-se da velha poltrona, abriu a
janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam
operários e mulheres do povo, crianças e velhinhos... O notável
obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos, e, antes de
retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos
olhos e limpou uma lágrima..." (Hilário Silva - O Espírito da
Verdade, 52, FEB)
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VOCÊ SABIA?
Allan Kardec se levantava às 4:30 horas da manhã, fizesse calor
ou frio, para poder dar conta dos seus muitos e variados
trabalhos diários.*
KARDEC E NAPOLEÃO - Logo após o 18 Brumário, (09 de novembro de
1799), quando Napoleão se fizera Primeiro-Cônsul da República
Francesa, reuniu-se, na noite de 31 de dezembro de 1799, no
coração da latinidade, nas Esferas Superiores, grande assembléia
de Espíritos sábios e benevolentes, para marcarem a entrada
significativa do novo século. Antigas personalidades de Roma
imperial, pontífices e guerreiros das Gálias, figuras notáveis da
Espanha, ali se congregavam à espera do expressivo
acontecimento. Legiões dos Césares, com os seus estandartes,
falanges de batalhadores do mundo gaulês e grupos de pioneiros da
evolução hispânica, associados a múltiplos representantes das
Américas, guardavam linhas simbólicas de posição de
destaque. Mas não somente os latinos se faziam representar no
grande conclave. Gregos ilustres, lembrando as confabulações da
Acrópole gloriosa, israelitas famosos, recordando o Templo de
Jerusalém, deputações eslavas e germânicas, grandes vultos da
Inglaterra, sábios chineses, filósofos hindus, teólogos budistas,
sacrificadores das divindades olímpicas, renomados sacerdotes da
Igreja Romana e continuares de Maomet ali se mostravam como em
vasta convocação de forças da ciência e da cultura da
Humanidade. No concerto das brilhantes delegações que ali
formavam, com toda a sua fulguração representativa, surgiam
Espíritos de velhos batalhadores do progresso que voltariam à liça
carnal ou que a seguiriam, de perto, para o combate à ignorância e
à miséria, na laboriosa preparação da nova era da fraternidade e
da luz. No deslumbrante espetáculo da Espiritualidade Superior,
com a refulgência de suas almas, achavam-se Sócrates, Platão,
Aristóteles, Apolônio de Tiana, Orígenes, Hipócrates, Agostinho,
Fénelon, Giordano Bruno, Tomás de Aquino, S. Luís de França,
Vicente de Paulo, Joana D'Arc, Tereza D'Avila, Catarina de Siena,
Bossuet, Spinoza, Erasmo, Mílton, Cristóvão Colombo, Gutemberg,
Galileu, Pascal, Swedenborg e Dante Aliguieri, para mencionar
apenas alguns heróis e paladinos da renovação terrestre; e, em
plano menos brilhante, encontravam-se no recinto maravilhoso,
trabalhadores de ordem inferior, incluindo muito dos ilustres
guilhotinados da Revolução, quais Luís XVI, Marie
Antoinette,
Robespierre,
Danton, Madame Roland, André Chenier, Bailly, Camille Desmoulins,
e grandes vultos como Voltaire e Rousseau. Depois da palavra
rápida de alguns orientadores eminentes, invisíveis clarins soaram
na direção do plano carnal, e, em breves instantes, do seio da
noite, que velava o corpo ciclópico do mundo europeu, emergiu, sob
a custódia de esclarecidos mensageiros, reduzido cortejo de
sombras, que pareciam estranhas e vacilantes, confrontadas com as
feéricas irradiações do palácio festivo. Era um grupo de almas,
ainda encarnadas, que, constrangidas pela Organização Celeste,
remontavam à vida espiritual, para a reafirmação de
compromissos. À frente, vinha Napoleão, que centralizou o
interesse de todos os circunstantes. Era bem o grande corso, com
os seus trajes habituais e com o seu chapéu
característico. Recebido por diversas figuras da Roma antiga,
que se apressavam em oferecer-lhe apoio e auxílio, o vencedor de
Rivoli ocupou radiosa poltrona que, de antemão, lhe fora
preparada. Entre aqueles que o seguiam, na singular excursão,
encontravam-se respeitáveis autoridades reencarnadas no Planeta,
como Beethoven, Ampère, Fúlton, Faraday, Goethe, João Dálton,
Pestalozzi, Pio VII, além de muitos outros campeões da
prosperidade e da independência do mundo. Acanhados no veículo
espiritual que os prendia à carne terrestre, quase todos os recém
vindos, banhavam-se em lágrimas de alegria e emoção. O
Primeiro-Cônsul da França, porém, trazia os olhos enxutos, não
obstante a extrema palidez que lhe cobria a face. Recebendo o
louvor de várias legiões, limitava-se a responder com acenos
discretos, quando os clarins ressoaram, de modo diverso, como se
se pusessem a voar para os cimos, no rumo do imenso
infinito... Imediatamente uma estrada de luz, à maneira de
ponte levadiça, projetou-se do Céu, ligando-se ao castelo
prodigioso, dando passagem a inúmeras estrelas
resplendentes. Em alcançando o solo delicado, contudo, esses
astros se transformavam em seres humanos, nimbados de claridade
celestial. Dentre todos, no entanto, um deles avultava em
superioridade e beleza. Tiara rutilante brilhava-lhe na cabeça,
como que a aureolar-lhe de bênçãos o olhar magnânimo, cheio de
atração e doçura. Na destra, guardava um cetro dourado, a
recamar-se de sublimes cintilações. Musicistas invisíveis,
através dos zéfitos que passavam apressados, prorromperam num
cântico de hosanas, sem palavras articuladas. A multidão
mostrou profunda reverência, ajoelhando-se muitos dos sábios e
guerreiros, artistas e pensadores, enquanto todos os pendões dos
vexilários arriavam, silenciosos, em sinal de respeito. Foi
então que o grande corso se pôs em lágrimas e, levantando-se,
avançou com dificuldade, na direção do mensageiro que trazia o
báculo de ouro, postando-se, genuflexo, diante dele. O celeste
emissário, sorrindo com naturalidade, ergueu-o, de pronto, e
procurava abraçá-lo, quando o Céu pareceu abrir-se diante de
todos, e uma voz enérgica e doce, forte como a ventania e veludosa
como a ignorada melodia da fonte, exclamou para Napoleão, que
parecia eletrizado de pavor e júbilo, ao mesmo tempo: - Irmão e
Amigo ouve a Verdade, que te fala em meu espírito! Eis-te à frente
do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a
Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento... César ontem,
e hoje orientador, rende o culto de tua veneração, ante o
pontífice da luz! Renova, perante o Evangelho, o compromisso de
auxiliar-lhe a obra renascente!... Aqui se congregam conosco
lidadores de todas as épocas. Patriotas de Roma e das Gálias,
generais e soldados que te acompanharam nos conflitos da Farsália,
de Tapso e de Munda, remanescentes das batalhas de gergóvia e de
Alésia aqui te surpreendem com simpatia e expectação...
Antigamente, no trono absoluto, pretendias-te descendente dos
deuses para dominar a Terra e aniquilar os inimigos... Agora,
porém, o supremo Senhor concedeu-te por berço uma ilha perdida no
mar, para que não te esqueças da pequenez humana e determinou
voltasses ao coração do povo que outrora humilhaste e
escarneceste, a fim de que lhe garantas a missão gigantesca, junto
da Humanidade, no século que vamos iniciar..." ...Cânticos de
alegria e esperança anunciaram nos céus a chegada do século XIX e,
enquanto o Espírito da Verdade, seguido por várias coortes
resplandecentes, voltava para o alto, a inolvidável assembléia se
dissolvia. O apóstolo que seria Allan Kardec, sustentando Napoleão nos braços,
aconchegou-o de encontro ao peito e acompanhou-o, bondosamente,
até religá-lo ao corpo de carne, no próprio leito. ...Em 3 de
outubro de 1804, o mensageiro da renovação renascia num abençoado
lar de Lião, mas o Primeiro-Cônsul da República Francesa, assim
que se viu desembaraçado da influência benéfica e protetora do
Espírito de Allan Kardec e de seus cooperadores, que retomavam,
pouco a pouco, a integração com a carne. confiantes e otimistas,
engalanou-se com a púrpura do mando e, embriagado de poder,
proclamou-se Imperador, em 18 de maio de 1804, ordenando a Pio VII
viesse coroá-lo em Paris. Napoleão, contudo, convertendo
celestes concessões em aventuras sanguinolentas, foi
apressadamente situado, por determinação do Alto, na solidão
curativa de Santa Helena, onde esperou a morte, enquanto Allan
kardec, apagando a própria grandeza, na humildade de um
mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples
homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia
à Terra, inaugurando a era espírita-cristã, que, gradativamente,
será considerada em todos os quadrantes do orbe como a sublime
renascença da luz para o mundo inteiro. (Cartas e Crônicas, 28,
Irmão X, F. C. Xavier, edição FEB)
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A
REVOLUÇÃO QUE PRECEDEU KARDEC - POR EMMANUEL
A FRANÇA NO
SÉCULO XVIII - A independência americana acendera o mais vivo
entusiasmo no ânimo dos franceses, humilhados pelas mais prementes
dificuldades, depois do extravagante reinado de Luís XV. O luxo
desenfreado e os abusos do clero e da nobreza, em proporções
espantosas, haviam ambientado todas as idéias livres e nobres dos
enciclopedistas e dos filósofos, no coração torturado do povo. A
situação das classes proletárias e dos lavradores caracterizava-se
pela mais hedionda miséria. Os impostos aniquilavam todos os
centros de produção, salientando-se que os nobres e os padres
estavam isentos desses deveres. Desde 1614, não mais se haviam
reunido os Estados-Gerais, fortalecendo-se, cada vez mais, o
absolutismo monárquico. De nada valera o esforço de Luís 16
convidando os espíritos mais práticos e eminentes para colaborar
na sua administração, como Turgot e Malesherbes. O bondoso
monarca, que tudo fazia para reerguer a realeza de sua queda
lamentável, em virtude dos excessos do seu antecessor no trono,
mal sabia, na sua pouca experiência dos homens e da vida, que uma
nova era começava para o mundo político do Ocidente, com
transformações dolorosas que lhe exigiriam a própria
vida. Reunidos em maio de 1789 os Estados-Gerais, em Paris,
explodiram os maiores desentendimentos entre os seus membros, não
obstante a boa vontade e a cooperação de Necker, em nome do Rei.
Transformada a reunião em Assembléia Constituinte, precedida de
numerosos incidentes, inicia-se a revolução instigada pela palavra
de Mirabeau.
ÉPOCA DE
SOMBRAS - Derrubada a Bastilha, em 14 de julho de 1789 e após a
célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, uma série
de reformas se verifica em todos os departamentos da vida social e
política da França. Aquelas renovações, todavia, preludiavam os
mais dolorosos acontecimentos. Famílias numerosas aproveitavam a
trégua, buscando o acolhimento de países vizinhos, e o próprio
Luis 16 tentou atravessar a fronteira, sendo preso em Varenas e
reconduzido a Paris. Um mundo de sombras invadia as
consciências da França generosa, chamada, naquela época, pelo
plano espiritual, ao cumprimento de sagrada missão junto à
Humanidade sofredora. Cabia-lhe tão somente aproveitar as
conquistas inglesas, no sentido de quebrar o cetro da realeza
absoluta, organizando um novo processo administrativo na renovação
dos organismos políticos do orbe,, de acordo com as sábias lições
dos seus filósofos e pensadores. Todavia, se alguns espíritos
se encontravam preparados para a jornada heróica daquele fim de
século, muitas outras personalidades, infelizmente, espreitavam na
treva o momento psicológico para saciar a sede de sangue e de
poder. Foi assim que, depois de muitas figuras notáveis dos
primórdios revolucionários, surgiram espíritos tenebrosos, como
Roberpierre e Marat. A volúpia da vitória generalizou uma forte
embriaguez de morticínio no ânimo das massas, condizindo-as aos
mais nefastos acontecimentos.
CONTRA OS
EXCESSOS DA REVOLUÇÃO - A Revolução Francesa, desse modo, foi
combatida imediatamente pelas outras nacionalidades da Europa,
que, sob a orientação de Pitt, Ministro da Inglaterra, sustentaram
contra ela, e por largos anos, uma luta de morte. A Convenção
Nacional, apesar das garantias que a Constituição de 1971 oferecia
à pessoa do Rei, decretou-lhe morte na guilhotina, verificando-se
a excecução aos 21 de janeiro de 1793, no local da atual Praça da
Concórdia. Em vão, tenta Luis XVI justificar sua inocência ao povo
de Paris, antes que o carrasco lhe decepasse a cabeça. As palavras
mais sinceras afluem-lhe aos lábios, suplicando a atenção dos
súditos, numa onda de lágrimas e de sentimentos que lhe
burburinhavam no coração, não obstante a sua calma aparente.
Renovam-se as ordens aos guardas do cadafalso e rufam os tambores
com estrépito, abafando as suas afirmativas. A França atraía
para si as mais dolorosas provações coletivas nessa torrente de
desatinos. Com a influência inglesa, organiza-se a primeira
coligação européia contra o nobre país. Mas, não somente nos
gabinetes administrativos da Europa se processavam providências
reparadoras. Também no mundo espiritual reunem-se os gênios da
latinidade, sob a bênção de Jesus, implorando a sua proteção e
misericórdia para a grande nação transviada. Aquela que fora a
corajosa e singela filha de Domrémy volta ao ambiente da antiga
pátria, à frente de grandes exércitos de Espíritos consoladores,
confortando as almas aflitas e aclarando novos caminhos. Numerosas
caravanas de seres flagelados, fora do cárcere material, são por
ela consuzidos às plagas da América, para as reencarnações
regeneradoras, de paz e de liberdade.
O PERÍODO DO
TERROR - A lei das compensações é uma das maiores e mais vivas
realidades do Universo. Sob as suas disposições sábias e justas, a
cidade de Paris teria de ser, ainda por muito tempo, o teatro de
trágicos acontecimentos. Foi assim que se instalou o hediondo
tribunal revolucinário e a chamada junta de salvação pública, com
os mais sinistros espetáculos do patíbulo. A consciência da França
viu-se envolvida em trevas espessas. A tirania de Robespierre
ordenou a matança de numerosos companheiros e de muitos homens
honestos e dignos. Carlota Corday entregou-se ao crime na
residência de Marat, com o propósito de restituir a liberdade ao
povo de sua terra e expiando o seu ato extremo com a própria vida.
Ocasiões houve em que subiram ao cadafalso mais de vinte pessoas
por dia, mas Robespierre e seus sequazes não tardaram muito a
subir igualmente os degraus do patíbulo, em face da reação das
massas anônimas e sofredoras.
A CONSTITUIÇÃO - Depois de grandes lutas com
o predomínio das sombras, conseguem os genios da França inspirar
aos homens públicos a Constituição de 1795. Os poderes
legislativos ficavam entregues ao "Conselho dos Quinhentos" e ao
"Conselho dos Anciães", ficando o poder executivo confiado a um
Diretório composto de cinco membros. Estabelece-se dessa forma
uma trégua de paz, aproveitada na reconstrução de obras notáveis
do pensamento. Os centros militares lutavam contra os propósitos
de invasão de outras potências européias, cujos tronos se sentiam
ameaçados na sua estabilidade, em face do advento das novas idéias
do liberalismo, e os políticos se entregavam a uma vasta
operosidade de edificação, vingando nesse esforço as mais nobres
realizações. Contudo, a França, depois de seus desvarios de
liberdade, estava ameaçada de invasão e desmembramento. Povos
existem, porém, que se fazem credores da assistênica do Alto, no
cumprimento de suas elevadas obrigações junto de outras
coletividades do planeta. Assim, com atribuições de missionário,
foi Napoleão Bonaparte, filho de obscura família corsa, chamado às
culminâncias do poder.
NAPOLEÃO
BONAPARTE - O humilde soldado corso, destinado a uma grande tarefa
na organização social do século XIX, não soube compreender as
finalidades da sua grandiosa missão. Bastaram as vitórias de
Árcole e de Rívoli, com a paz de Campoformio, em 1797, para que a
vaidade e a ambição lhe ensombreassem o pensamento. ... Sua
fronte de soldado pode ficar laureada, para o mundo, de tradições
gloriosas, e verdade que ele foi um missionário do Alto, embora
traído em suas próprias forças; mas, no Além, seu coração sentiu
melhor a amplitude das suas obras, considerando providencial a
pouca piedade da Inglaterra que o exilou em Sta. Helena após o seu
pedido de amparo e proteção. Santa Helena representou para o seu
espírito o prólogo das mais dolorosas e mais tristes meditações,
na vida do Infinito.
ALLAN KARDEC
- A ação de Bonaparte, invadindo as searas alheias com o seu
movimento de transformação e conquistas, fugindo à finalidade de
missionário da reorganização do povo francês, compeliu o mundo
espiritual a tomar enérgicas providências contra o seu despostismo
e vaidade orgulhosa. Aproximavam-se os tempos em que Jesus deveria
enviar ao mundo o Consolador, de acordo com as suas auspiciosas
promessas. Apelos ardentes são dirigidos ao Divino Mestre,
pelos gênios tutelares dos povos terrestres. Assembléias numerosas
se reúnem e confraternizam nos espaços, nas esferas mais próximas
da Terra (Vide Curiosidades da
Codificação). Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo
baixa ao planeta, compenetrado de sua missão consoladora, e, dois
meses antes de Napoleão Bonaparte sagrar-se imperador, obrigando o
Papa Pio VII a coroá-lo na Igreja de Notre Dame, em Paris, nascia
Allan Kardec, aos 3 de outubro de 1804, com a sagrada missão de
abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido
ao mundo pela misericórdia de Jesus-Cristo. (Do livro "A
Caminho da Luz", cap. XXII, ditado por EMMANUEL e psicografado por
Francisco Cândido Xavier, edição FEB)
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história de Louis XVI e Marie Antoinette, os reis
decapitados da Revolução Francesa.
LIVRO QUE
RECOMENDAMOS
VIDA E OBRA DE
ALLAN KARDEC
EDSON AUDI -
"É uma viagem, pelas mesmas calçadas, respirando as mesmas
esquinas, as mesmas janelas, dos vidros, dos livros, da
biblioteca, da memória, memória de Rivail, de Kardec, de Lyon,
de Yverdon, de Paris. Uma outra história. Procurei te
encontrar, entender, compreender. Olhei o teu olhar, tela,
clics solitários, você nascia no ruído do pensamento. Eu
te vi, te observei, procurei passar aos outros aquilo que
encontrei; é uma parte, a que me
cabe." (Prefácio).
Decididamente, trata-se de livro sobre
Allan Kardec, sua vida e sua obra, que mais nos tocou o
coração... Recebido como presente, serviu-nos para, entre
indescritível alegria e emoção, viajar pelas mesmas cidades,
ruas e casas em que andou o inesquecível codificador. E
mais: enriqueceu-nos o conhecimento, acrescentando fatos e
documentos, fotos e reflexões que permanecerão para sempre em
nossa memória pela seriedade, leveza e carinho que com foram
compilados. Este livro, de maravilhoso conteúdo e primorosa
apresentação gráfica, com toda a certeza, tocará igualmente o
seu coração.
VIDA E OBRA DE ALLAN KARDEC,
de EDSON AUDI http://www.lachatre.com.br/livro.php?livid=96 Editora
Lachâtre - Caixa Postal 60021 - CEP 05033-970 - São Paulo -
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